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Hospital Samaritano de Campinas faz cirurgia inédita intrauterina

O Hospital Samaritano de Campinas realizou uma cirurgia intrauterina inédita na rede particular da cidade. Trata-se de um procedimento para a correção da mielomeningocele, que é uma falha no fechamento do tubo neural que compromete a medula. A paciente de 33 anos e grávida de 25 semanas passou pela cirurgia para minimizar os riscos de hidrocefalia no feto resultante de uma má formação. Segundo a paciente, o feto também tem Síndrome Arnold Chiari, uma malformação do crânio que acontece na altura da junção entre o pescoço e a cabeça.

“Por meio de uma fetoscopia, quando são utilizados pontos com materiais específicos para o fechamento da abertura no tubo neural, tentamos realizar a cirurgia”, informou o médico responsável pelo procedimento Maurício Saito, membro titular da Academia Brasileira de Ultrassonografia e dirigente de Medicina Fetal de várias instituições, que veio de São Paulo junto com sua equipe de profissionais.

“A técnica é muito inovadora na unidade que conta com uma expertise para poucos”, acrescentou o médico ginecologista e obstetra, Mauro Villa Real, do PHS Samaritano Saúde e diretor clínico do Hospital Samaritano de Hortolândia.

ESTRUTURA
O Hospital Samaritano de Campinas forneceu toda a estrutura do centro cirúrgico além de suporte específico como UTI (Unidade de Terapia Intensiva) adulto e neonatal, se fosse necessário.

“A mielomeningocele ou espinha bífida é uma malformação que ocorre devido à falha de fechamento do tubo neural. Este defeito pode resultar em consequências graves para o bebê. No sistema nervoso central temos o deslocamento posterior do cérebro que resulta no acúmulo de líquido que é chamado de hidrocefalia. Essa alteração está associada com sequelas neurológicas como o retardo mental”, explicou Saito sobre a doença.

O especialista completou dizendo que “os nervos expostos da coluna também podem ser lesionados pelo líquido amniótico. As complicações desta situação dependem do nível das vértebras comprometidas. A forma mais comum é a lombo sacral, dessa forma podendo levar a falta de controle da urina, da evacuação intestinal e da sensibilidade da genitália, além da paraplegia dos membros inferiores (perda dos movimentos das pernas)”. Ele afirmou que a cirurgia intrauterina teve a finalidade evitar ou reduzir as complicações relacionadas com esta malformação.

PIONEIRO
A paciente faz pré-natal com o médico ginecologista e obstetra, Mauro Villa Real, do PHS Samaritano Saúde. Para ele, a cirurgia faz parte de um contexto de modernidade dos novos procedimentos. “É uma cirurgia que pode mudar o prognóstico, que muda a história da vida, principalmente, de uma criança. E por ser um procedimento não praticado normalmente, o Samaritano se destaca por sediar uma cirurgia desse porte”, avaliou.

O procedimento durou cerca de 3 horas. “Agora, um novo procedimento para a reparação do canal será realizado quando o bebê nascer”, informou o coordenador do Centro Cirúrgico, Bruno César Mariano.

SOBRE
O Hospital Samaritano de Campinas existe há mais de 35 anos sendo que há cinco anos passou a contar com uma nova gestão. Ele foi criado em 1979, como Sociedade Evangélica Beneficente de Campinas e servia com médicos evangélicos de Campinas à comunidade.

Atualmente, possui cerca de 650 funcionários e conta com corpo clínico composto por médicos renomados, desenvolvendo suas atividades em mais de 150 leitos para atendimentos de Cirurgia Geral, Clínica Geral, Maternidade, UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Adulto, UTI Infantil, UTI Neonatal, Obstetrícia, Pediatria Clínica, Hospital Dia, Unidade Coronariana e Hemodinâmica. Sua estrutura é composta ainda por 10 salas cirúrgicas. Hospital Samaritano de Campinas realiza, em média, mil procedimentos por mês.

Fotos: Erika Almeida